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Medicamentos contra a dor: desigualdade de acesso

Cerca de 30% da população sofre de dores crônicas, mais de 50% tem dor no pós-operatório e de 50 a 80% dos pacientes com câncer a dor é uma das principais causas de sofrimento e prejuízo da qualidade de vida. Pacientes com dor perdem dias de trabalho, utilizam mais o sistema de saúde, tem internações prolongadas e, em consequência, aumentam o custo social. Por tudo isto a dor é considerada um problema de saúde pública e tem sido alvo de programas da Organização Mundial da Saúde e da Associação Internacional para o Estudo da Dor que recomendam intensificar a capacitação de profissionais e estudantes, qualificar a atenção à dor nos hospitais e reduzir os entraves para o acesso dos pacientes aos analgésicos mais potentes. Em todo o mundo milhões de pessoas sofrem de dores agudas e crônicas devido à falta de entorpecentes essenciais ao tratamento da dor. A causa disto não é a falta de matéria prima, ao contrário, as reservas necessárias à fabricação de morfina aumentaram de forma nunca vista desde o ano 2000. O consumo global de analgésicos opióides para o tratamento de dores moderadas e agudas duplicou na última década, mas o aumento se concentra na América do Norte e na Europa. Em 2006, essas regiões responderam por 89% do consumo mundial de morfina, enquanto os países em desenvolvimento, onde residem 80% da população mundial, respondem somente por 6% do total de morfina distribuída do mundo. Em alguns países em desenvolvimento o acesso aos analgésicos opióides é praticamente inexistente para a maior parte da população. Algo similar acontece com outros opióides, tais como o fentanil e a oxicodona, que nos últimos anos ganharam novas formas (adesivos transdérmicos, pastilhas de liberação controlada). O consumo dessas drogas se limita quase que exclusivamente à América do Norte e à Europa. Em 2006, essas regiões registram quase 96% do consumo mundial de fentanil e 97% do consumo mundial de oxicodona. As análises feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelaram que as dificuldades de garantir o acesso aos analgésicos opióides resultam de diversos fatores interligados, entre eles educação e informação inadequada dos profissionais da área da saúde, falta de conhecimento e capacidade desenvolvida para o tratamento da dor, atitude da opinião pública sobre o tema, impedimentos regulatórios e limitações econômicas. A OMS solicita que os governos identifiquem os impedimentos que existem em seu país e adotem medidas destinadas a aumentar a disponibilidade desses medicamentos. Resta agora que principalmente os países em desenvolvimento adotem estas medidas para benefício da população que sofre.

Dr. Newton Barros

Sobre Dr. Newton Barros

Mestrado em Clínica Médica - UFRGS Diretor do Instituto de Medicina Preventiva Mãe de Deus MBA - Gestão de Negócios em Saúde - Fundação UNIMED Chefe do Serviço de Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Conceição - Ministério da Saúde - Porto Alegre Membro da International Association for the Study of Pain Conselheiro do Conselho Regional de Medicina do RS Vice-Presidente da Associação Médica Brasileira
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